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Sabores do mundo (GO)

Texto: Rafaela Céo Fotos: Divulgação

De família libanesa, o chef Fernando Hanna pode ser considerado um cidadão do mundo. Apaixonado pelo vanguardismo espanhol, pelo classicismo da cozinha francesa, a delicadeza da culinária japonesa e a leveza da comida Tai, esse profissional plural e requintado está à frente do Hanna Buffet, um das empresas mais disputadas da cidade. Entre os diferenciais, um acervo de primeira linha capaz de deixar qualquer mesa ainda mais irresistível. Afinal, toda refeição começa pelos olhos.
Inesquecível Casamento – Você é de família libanesa. Que receitas e ingredientes de sua história estão presentes em seu negócio hoje?
Fernando Hanna - No Armazém de Secos e Molhados Assad Daud, de propriedade do meu avô, em Uberlândia, conheci sabores e texturas inesquecíveis e que uso até hoje. Entre as especiarias mais marcantes estão o perfume da água de rosa; o frescor da canela; a receptividade e o sabor adocicado da hortelã; o picante da pimenta síria; o aveludado das amêndoas; o bacalhau e a manteiga que envolvia os folhados árabes produzidos na cozinha da loja pela minha avó Nagiba. Ali e nos preparos das festividades típicas da família, conheci os mistérios e segredos da transformação na cozinha.

O que o mercado de casamento exige em especial de um profissional como você?
A cada dia que passa, os clientes estão mais bem informados. Eles sabem facilmente tudo sobre os mais longínquos lugares do mundo. O grande desafio que se coloca, portanto, é trazer esse universo rico e plural para o evento do cliente. Por isso, cabe ao profissional de gastronomia ter confiança, pesquisar bastante e ser capaz de personalizar os eventos que faz. É preciso ter confiança e dedicação para que o casamento do cliente seja um momento mágico e único.

Quais são os diferenciais do seu trabalho?
Proporcionar um evento saboroso e bem organizado é o mínimo que qualquer chef pode oferecer aos seus clientes. Mas realizar um casamento, aniversário ou confraternização com requinte e criatividade não é tão usual. E essa é minha meta. Para alcançá-la, confio no meu feeling e trabalho arduamente na constante busca pela qualificação.

O seu trabalho é conhecido por ser bastante personalizado. O que você faz para que cada casamento tenha um gosto especial?
Gosto muito de conhecer a história de cada casal. Faço um estudo da identidade familiar, para saber qual a origem, hábitos e cultura comungados por aquele público. Com esse estudo da família, que é fundamental, sou capaz de transformar o evento em algo lúdico e muito singular. Assim, o primeiro passo, depois que sou procurado por um cliente, é fazer uma profunda entrevista sobre a história dele. Com as respostas, consigo vislumbrar um caminho a seguir e apresento algumas opções. O cliente escolhe o que mais gosta e monto o cardápio com essas indicações. Nessa troca de informações, ficamos cerca de um ano em contato.

Nem só de comida é feito um jantar. A sua prataria também é famosa. Qual o origem dos seus artigos? E qual a importância desse cuidado a mais no seu trabalho?
O acervo do Hanna Buffet é composto de pratarias, porcelanas, cerâmicas, vidros e muranos vindos dos mais diferentes lugares do mundo: França, Índia, Marrocos e Itália, para citar alguns exemplos. As louças são mexicanas e tailandesas e há vários objetos marroquinos. Temos peças em acrílico, vidro, inox e as nossas cerâmicas regionais. Eu trabalho com artistas plásticos que desenham peças exclusivamente para o Hanna Buffet. Viajo constantemente para Europa, Indonésia, Indochina e África em busca de novidades e temperos exóticos, a fim de oferecer um sabor diferente a qualquer festa.

O que os noivos devem fazer para acertar na escolha do bufê? E que pecados não podem cometer?
Acho que o fundamental é ser autêntico e deixar os modismos de lado. Pode parecer simples, mas esse é o grande desafio do bufê, é onde investimos nosso conhecimento. É preciso garimpar emoções e estabelecer o afeto daquele grupo de convidados com a comida. Um dos principais pecados a ser evitado é estabelecer esse diálogo apenas com parte da festa. É preciso pensar nos convidados como um grupo diverso – há os que não comem carne, os que gostam de frutos do mar, de comida leve. Temos que contemplar todas as situações, encontrar um equilíbrio, que é tão particular para cada casal e seu grupo de convidados.

Você atende clientes fora de Goiânia? Quais as peculiaridades do mercado goiano?
Sim, atendemos em Goiânia, Brasília, Anápolis, Rio Verde e outras cidades do estado de Goiás e região. Sobre as peculiaridades, procuro valorizar a gastronomia local, polindo as situações. Se um casal adora o empadão goiano, por exemplo, podemos servi-lo num evento de forma delicadamente minimizada. Sou totalmente a favor dessa riqueza, mas ela precisa ser trabalhada, para não ficar rústica demais.

Com que antecedência você recomenda que os noivos procurem o serviço de bufê?
Acredito que o ideal é uma antecedência de 12 meses. Esse tempo é fundamental para afinarmos a conversa. Dependendo do perfil do cliente, mantenho um contato mensal. Geralmente são os mais ansiosos que me procuram com mais freqüência e os atendo sem o menor problema, sempre que necessário. Mas há também os clientes que fecham contrato e só voltam a entrar em contato perto do dia do evento. Atendo os dois perfis com a mesma tranquilidade, sem estresse algum e com a certeza de que o trabalho que vou apresentar terá de tudo para agradá-los.

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